Todos nós em algum momento da caminhada já sofremos muito quando um ente querido nos deu o seu até logo. Sentimos além do necessário quando, ao invés de vermos a sua partida como a alegria de um irmão que já cumpriu sua tarefa, vemos isso como uma perda. Reencarnamos para cumprir com missões determinadas e fazer os reajustes vencendo nossas más tendências. Desejar que alguém permaneça conosco pelo nosso simples medo de sentir falta, é alimentarmos o apego e o egoísmo.
O espiritismo quando codificado por Kardec matou a morte. Mostrando-nos a continuidade da vida além do corpo físico. Reforçando em nós a importância de valorizarmos os instantes juntos e também, a necessidade da reforma íntima. Dessa maneira, cultivarmos a saudade de quem já desencarnou, é uma das maneiras mais lindas de agradecê-los pelo tempo em que estiveram alegrando os nossos dias.
Através do Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo V denominado "Bem-aventurados os Aflitos" temos a passagem que trata da perda de pessoas amadas e de mortes prematuras. Constatamos todos os dias a indignação e a revolta das pessoas dizendo que, se fosse uma pessoa ruim teria ficado, era tão jovem e não teve tempo de aproveitar a vida e se perguntam por que Deus permite isso? Ora, uma vez que Deus nunca erra e nunca errou, nada está fora da justiça Divina.
Temos um tempo determinado aqui na terra. As pessoas que convivem conosco também. Onde estaria o ajuste se, aquele que quitou seus débitos e cumpriu com a sua missão fosse obrigado a permanecer aqui e não pudesse voltar para se preparar mais e evoluir?
Da mesma maneira, aquele onde de forma grosseira, a vaidade, o orgulho e o egoísmo falam mais forte que seu lado bondoso, também precisa crescer e vencer as suas más tendências. Quanto mais tempo demorar para isso, mais tempo necessitará permanecer encarnado. Nenhum de nós é totalmente ruim ou totalmente bom. Então, como nos acharmos no direito de julgar.
Quando aprendemos que devemos amar ao próximo como a nós mesmos, em nenhum instante nos é permitido tomarmos conta da vida alheia. Desapegarmo-nos de alguém não é deixar de amar, pelo contrário, é amar em dobro. Dando liberdade e aceitando que aquele a quem amamos siga o seu curso.
Nada mais natural que, os pais que tiveram filhos desencarnados jovens, sintam muito as suas faltas. Porém, devemos nos confiar a Deus. Nossa família (laço corporal) e nossos amigos (laço espiritual) são empréstimos Divinos.
A fé nos traz a certeza do caminho certo. Lembrarmos com saudade daqueles que conviveram conosco é maravilhoso. Imaginemo-nos de volta ao plano espiritual e tendo a chance de sermos recebidos por eles.
Apegar-se à vida material é um sofrimento sem hora para terminar. Todo aquele que se intitula espírita, não pode portanto, revoltar-se dessa maneira às leis de Deus. Chorar faz parte do caminho de cada um que ama. Erguer a cabeça e fazer a nossa parte para, ao ser visto por quem retornou ao plano espiritual, transmitir paz e felicidade, é o mínimo a ser feito.
Guardemos portanto, as seguintes palavras do Evangelho que nos diz: "Vós, que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações do vosso coração a chamar esses entes bem-amados e, se pedirdes a Deus que os abençoe, em vós sentireis fortes consolações, dessas que secam as lágrimas; sentireis aspirações grandiosas que vos mostrarão o porvir que o soberano Senhor prometeu. - Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris (1863)."
Por isso, continuemos a ver no sol o milagre Divino a nos chamar para vivermos a vida em todo seu esplendor. Não nos prendamos as mesquinhezas da revolta e da maledicência, Jesus nosso Mestre e Amigo abraça-nos e nos convida a tudo vencermos. Oremos com mais fé e tenhamos a certeza de que, tudo podemos quando em Deus confiamos. Alimentar o desapego é alimentar a fé.
Se hoje você chora, enxugue as suas lágrimas e sorria, alguém que muito lhe ama também torce por você na espiritualidade.
Por Débora Rabello




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